quinta-feira, 8 de abril de 2010

Devolva-me


Ele sempre foi uma interrogação para ela, pelo fato de não saber o que ele realmente sentia, mas ela sabia que ao olhar profundamente em seus olhos, conseguia ver coisas que em nenhum lugar no mundo ela teria conseguido ver, conseguia ver além do país das maravilhas, naquele momento ela sabia todos os seus segredos. Mas vidas tomam rumos diferentes, e agora, o que ela sente, ainda persiste, porém é como se ele não existisse mais, como se não fosse mais ele. Talvez ela fizesse uma carta, mas que ele nem precise ler, a carta que seja apenas para sara-la da dor da perda, a perda de seu grande amor. “ Venha para que eu possa sentir o seu cheiro, para que eu durma bem, em paz. Volte para que eu possa me sentir novamente em seus braços, venha para que a noite não seja tão fria, tão escura, venha para que eu sinta teus lábios ao tocar minha boca, volte para que eu possa viver o que talvez nem tenhamos vivido, venha para que eu te prove que o que seu sinto ainda existe e é tão forte quanto o sol às duas horas, volte para que que ensines a ser digna, digna de amor, de ter você ao meu lado. Venha para que estes tempos sejam mais felizes que os antigos.Volte para que eu possa sentir teu calor em meu corpo. Venha para que possas despertar ao meu lado, como de costume, em um daqueles dias em que o sol bate a janela e estamos deitados em seu sofá com você sob meu corpo. Venha para que possamos ver o crepúsculo como naquela quinta-feira. Não quero esquecer sua linda face, não quero que se tornes utópico. Quero me recorde da felicidade do fim de tarde, quero que sejas meu novamente, quero estar contigo independente do que ainda sente, quero ser sua única Alice, quero que sejas meu único anjo da guarda, não quero que acorde, quero que sintas para sempre, como se estivesse no país das maravilhas, quero ouvir dos teus lindos lábios que eu sou seu único amor.” Carta feita por ela, depois de sua partida. Talvez ele nunca leia, talvez ele nem saiba dos reais sentimentos, talvez ele não saiba o que é amor e talvez ela, apenas ela, saiba o que é se manter viva apenas por uma foto e um perfume.O perfume que demarca o fim do amor, o perfume que está intacto. Uma única foto, agora pendurada em seu mural, a foto que ela achara revirando coisas antigas, a foto que ela chorou revendo, a foto que ela espera reviver, a foto que ela nunca mais irá reviver. No fundo ela sabe, ele nunca irá voltar.
Por Juliana Marvila

3 comentários: